O dia em que ouvi a frase ...

Como falei no texto anterior, havia escrito um texto para publicar que foi apagado e que postaria posteriormente. A questão é que já tentei reescrever várias vezes o texto e não acho bom. Sendo assim, não vou reescrevê-lo, escreverei outro texto, com a reflexão que tinha feito no anterior. E vou fazer isso porque realmente quero falar sobre essa reflexão.

Eu era uma pessoa religiosa, hoje não sou mais. Acredito que espiritualidade e religiosidade são duas coisas completamente diferentes. Quando me separei, sofri muito. Mas não porque sentia falta do meu ex-marido. Pra falar a verdade, depois que ele saiu de casa, não teve nenhum dia que senti saudades. Ele já não era minha companhia há muitos anos. Pouco antes da minha separação, eu fiz um trato comigo mesma que ia viver como uma divorciada, porque assim não criaria expectativas com relação ao companheirismo que queria dele. Enfim, a fonte do meu sofrimento não era porque ele não estava mais em casa, mas em outras coisas, dentre essas outras coisas, existia a frustração de ter me empenhado tanto para algo dar certo e no fim não deu, decepção de ter feito a escolha errada, o arrependimento de não ter feito o que naquele momento acreditava que eu deveria ter feito. Várias perguntas dolorosas surgiam na minha cabeça, como: “se eu tivesse escolhido fulano?” “Se eu tivesse me separado na primeira vez que pensei nisso?”(se tivesse feito, meu casamento teria durado somente 2 anos e não 12). Mas, havia um pensamento que muito me causava dor. “Porque comigo Deus? Eu não fui justa o suficiente? Eu não fiz “sempre” a sua vontade? Porque Você permitiu que tudo isso acontecesse?”. Eu tinha como certo que um dia Deus restauraria meu relacionamento, e agora diante de mim só havia destroços de algo que um dia achei que era um casamento. Na realidade eu nunca vivi um casamento de verdade. Vivi um casamento de carreira solo. E casamento real é dupla sertaneja.  Uma das perdas que a separação trouxe, foi que me vi sem igreja para frequentar. Como eu disse era uma pessoa religiosa. A igreja que eu frequentava tinha em outros bairros, eu poderia ir pra qualquer um deles, mas ainda assim não me sentia bem, porque não tinha uma viva alma nessa igreja que não me conhecesse e principalmente meu ex-marido. Foi então que decidi visitar outras igrejas. Cada domingo em uma, e nenhuma conseguia amenizar minha dor. Dentro dos cultos, o louvor era algo que me bloqueava, não levantava e sentia raiva, as pregações não alcançavam meu coração, não encontrava bálsamo em nenhuma palavra que era proferida nos púlpitos das igrejas. Foram 6 meses assim, até que encontrei uma igreja na qual um dos pastores é um amigo muito muito muito querido da minha adolescência. Não quero dizer que ter encontrado essa igreja resolveram meus problemas, mas consegui parar e começar a limpar a sujeira e os destroços que meu casamento e separação me causaram. Nessa igreja duas coisas me ajudaram muito, a primeira é um tipo de culto que eles chamavam de Adoração com a Palavra, não tenho nem palavras pra expressar o quanto que essas idas a esses cultos me fizeram bem; a outra experiência significativa que tive nesta igreja foi ter conhecido sete mulheres que com certeza são muito notáveis. Reunia-me com elas uma vez por mês, e como elas me ajudaram nesse processo todo que estava passando. Uma delas me falou algo que nunca esqueci, e que sempre vou levar para toda a vida. Em uma noite, depois de um culto, fomos comer sushi, e todos que procuramos estavam fechados, foi então que paramos na Bob’s no posto da Torquato, fizemos um pedido e comemos dentro do carro no estacionamento. Conversamos tanto que quando vimos já eram mais de 3 horas da manhã (eu acho rs). E nesta conversa ela me falou a seguinte frase: “Se permita!”. Uma frase tão pequena, mas que pode trazer grande significado a uma vida. Não era a primeria vez que ouvia esta frase, mas ela nunca teve tanto peso em mim. Depois que essas duas palavras entraram em mim, digo assim porque acredito dessa forma, entraram como um alimento, que se desfaz dentro do organismo e vai nutrindo cada célula do corpo, comecei a ver e experimentar algo novo pra minha vida. E me alimento desta frase todos os dias, como um delicioso café da manhã. Não deixo mais de viver nada nessa vida por causa de ninguém, inclusive de mim e dos meus próprios preconceitos. Desde que não prejudique alguém eu vou viver cada dia da minha vida como se fosse único, pois ele realmente é. Depois que decidi viver assim, me permiti a me relacionar com Deus de outra forma sem a igreja como meio da relação, e a vê-lo de outra forma também. Me permiti a viver relacionamentos passageiros, a me apaixonar e desapaixonar por alguém 10 anos mais novo que eu. Me permiti a aceitar um pedido de namoro com três dias de conversa, a mudar meu status de relacionamento no facebook, e depois a perceber que não era isso que queria. Me deixei viver um romance de apps de relacionamentos. Me permiti ter o pior encontro do mundo, que por sinal era o texto que tinha sido escrito e apagado, quem sabe um dia eu conte como foi esse encontro terrível.

No final das contas me permiti ser quem eu sou! E o que mais importa é que estou gostando!

Não que a experiência que tive no meu casamento foi inválida, pelo contrário, foi ela que me fez chegar a este pensamento que tenho hoje, mas refletindo nesse pensamento e em quantas experiências perdidas tive, se tivesse decidido me separar com apenas 2 anos de casada, não consigo deixar de pensar que hoje eu estaria vivendo um amor verdadeiro com outra pessoa, ou pelo menos teria vivido. Por isso penso que não posso perder mais 10 anos presa a preconceitos, religiosidade, ao que o outro vai pensar de mim, ou qualquer coisa que realmente não tenha legitimidade para me impedir de viver. Não posso perder mais 10 anos, nem 10 meses, nem 10 dias se quer!

Certa vez, eu perguntei ao meu ex-marido, se ele pudesse me definir em uma palavra, qual seria, e ele disse para mim: “INTENSIDADE”. Ele não estava errado, só acho que agora que estou sendo isso na sua total plenitude, ou pelo menos perto disso, pois estou me permitindo ser!

#crônicasdeumadivorciada






Comentários

  1. Uau!!!!!! Ótima reflexão. Mto feliz por você amiga e por tudo que tens conquistado e pelo autoconhecimento, acho que esse tem sido a maior sacada. Todos nós estamos buscando isso...Acho que o que.mais admiro em ti é a tua coragem. Espero ser corajosa assim um dia. Bjsss. Te amo

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    1. Obrigada por tudo e ter apreciado a leitura! Você que é muito admirável! Te amo tbm! s2

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  2. Esse blog tem que virar um livro 👏🏻👏🏻👏🏻

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