O dia que tive uma visão 👻 👀
Você acredita em visão?
Eu nunca tinha tido uma, até certa vez em que estava indo trabalhar, não
daquelas que vê o futuro, a minha estava mais ligada ao passado e presente, mas
de repente me vi em outro lugar que não era onde estava.
Depois que me separei
minha vida não mudou muito. Minha rotina consistia da seguinte forma: acordava
entre 4:30 e 5:30 dependendo da escola do dia, me arrumava, fazia o café da
filha, ela saía para ir para aula e eu para trabalhar, voltava do trabalho no
fim do dia e a noite preparava a comida para o dia seguinte. As etapas para
sair de casa eram as seguintes: depois que minhas coisas estavam todas no carro
eu abria o portão da garagem da minha casa, tirava o carro, descia do carro,
fechava o portão, voltava para o carro, colocava o cinto de segurança e dirigia
para o local onde ia trabalhar no dia. Em um dia desses qualquer, fui para o
carro, coloquei minhas coisas no banco de trás, abri o portão, tirei o carro, sai
do carro, fechei o portão e no momento em que eu entro no carro, sento no banco
e olho para frente, não vejo mais o portão da garagem de casa, mas sim um local
onde um dia tinha sido um prédio e agora estava tudo em ruínas, como se
houvesse tido uma demolição e só tinha entulhos de concreto espalhado pelo
chão, aquele pó de cimento quando uma construção é demolida estava por todo
lugar, e eu comecei a chorar. Fiquei um pouco chateada porque não queria borrar
minha maquiagem, mas não tive como evitar. Eu vi minha vida, ali, toda
demolida, e olhava de um lado para o outro sem saber o que fazer. Nesse momento
fiz uma pequena oração: “Deus não sei nem por onde começar a limpar essa
sujeira, me ajuda”! Segui para o meu trabalho!
Passaram os dias, depois as semanas, e aquela imagem nunca mais saiu da minha cabeça. Uma vez voltando da casa de uma amiga eu coloquei música no carro, como de costume, e começou a tocar a musica do Enzo Rebelo, “Tijolinho por tijolinho”. A letra me fez lembrar a visão. Diz assim:
Uma decepção atrás da outra
Eu entendo você
O seu amor tem trauma do passado
O sentimento deve tá rachado
Mas eu entendo você
E o seu coração perdeu a cor
Cansou de errar a mão
O seu teto desabou e perdeu o chão
E mas pendura uma plaquinha aí de atenção
Um novo amor em construção
E tijolinho por tijolinho vou reformar seu coração
E vai ter amor espalhado nas paredes, teto, chão
E vai ter amor espalhado nas paredes, teto e chão”
Ouvi essa música muitas vezes, e me emocionava toda vez que escutava. Mas uma coisa eu quero que saiba, desde a primeira vez que ouvi a música e refleti sobre a letra, entendi que era eu quem tinha que pendurar a placa de atenção e construir um novo amor em mim, não tinha que esperar que outra pessoa fizesse isso. E assim considero que foi minha vida depois que me separei uma construção ou reconstrução feita de tijolinho por tijolinho. Meu pensamento é que não dar para construir nada com o terreno sujo ainda da construção antiga. Eu precisava tirar os escombros do terreno, limpar a área, e você pode imaginar como é trabalhoso limpar um terreno para construir. Às vezes me imaginava com uma vassoura naquele terreno cheio de escombros. Seria cômico se não fosse trágico. Eu julguei que tudo partia do perdão, eu já tinha dito ao meu ex-marido que o perdoava, mas eu precisava viver esse perdão. Eu acredito que o perdão faz mais bem a quem perdoa do que a quem é perdoado, eu queria esse bem para minha alma. Eu sentia que enquanto não vivesse o perdão na sua total plenitude estaria presa ao meu passado, e o que mais queria era me libertar dele. Foi então que passei a ir a um culto as quintas-feiras na igreja que mencionei em outro texto. Fui a esse culto com um único propósito, pedir a Deus para que me ajudasse a perdoar tudo que tinha acontecido. Penso que meu desespero em ser livre desse passado e desse sofrimento era tão grande, que me agarrava a qualquer tipo de coisa que pudesse solucionar meu problema, e isso era algo da minha realidade naquele momento. Acredito que os seis meses com a ida a esses cultos todas as quintas feiras foram muito importante, vendo esse período hoje sem o sofrimento e com um olhar mais crítico, foi um momento que realmente parei para iniciar a limpeza do terreno. Curioso ou não, mas quando comecei a ir aos cultos o tema do culto mudou e eu ainda participei da reunião para selecionar o novo tema, e mesmo sem dar opinião nenhuma, o tema escolhido foi do Salmo 97 que fala sobre a justiça de Deus. E porque curioso? Porque uma das coisas que mais questionava sobre Deus era a sua justiça. Não vou me aprofundar sobre esse questionamento, talvez em outro momento, em outro texto. Lembro-me da última quinta-feira neste culto, eu senti que era a última e que estava para ir para outra fase da minha reconstrução. Depois disso, coisas que não estavam nos meus planos aconteceram, comecei a fazer um novo curso superior, me matriculei no curso de psicologia. Sei que fazemos nossas escolhas, mas não sei por que, acredito que as oportunidades não aparecem aleatoriamente. Fazer outro curso superior estava fora de cogitação para mim. Mas, meio que de repente, veio uma grande vontade de fazer e escolhi a psicologia que sempre gostei e hoje sou apaixonada! E foi através desse curso que cheguei a psicóloga que me atende hoje, e que por sinal é a melhor! Rsrs
Assim como na visão, tudo ruiu e veio ao chão. Minhas crenças, minha fé, minha família. Mas o pior de tudo foi olhar para toda aquela destruição e não encontrar nenhum resquício de amor próprio. E isso não foi à separação que levou, foi o casamento que aos poucos foi minando esse amor. Defino o amor como cuidado! Quem ama cuida! Pode ser quem alguém defina de outra forma, e ver o amor de outro jeito também. Eu o enxergo assim, como cuidado! Não sou muito das declarações de amor, faço, mas não é o meu forte rs. Eu geralmente não falo o amor eu demonstro e geralmente com cuidado. E aí me vi vivendo uma grande hipocrisia. Eu cuidava de quem amava e não conseguia cuidar de mim. E que dificuldade foi em cuidar de mim e dos meus sentimentos. Foi muito difícil, parecia que sugava toda minha energia. Sei que um dia existiu amor próprio em mim, pude relembrar quando reencontrei um amigo muito querido da minha adolescência que me falou que quando me conheceu, ele falou para mim a seguinte frase “Prazer em te conhecer” e eu disse pra ele “O prazer é todo seu”!!! kkkk Eu me lembrei de uma Ana que não existia mais e que estava tentando resgatá-la, não na sua totalidade mas o que era mais importante: a essência dessa Ana! Uma Ana alegre e brincalhona, que gosta de rir alto (meus amigos do trabalho que o digam) e principalmente uma Ana que não via problema nenhum em estar só e que se dava valor. Acredito hoje que não só tenho conseguido, mas tenho dado up grade, pois essa Ana do passado não tem a bagagem de aprendizados, de experiências vividas e realizações da Ana de hoje. Tive que criar novos hábitos, mas isso não é fácil, pelo menos não para mim. Sei que essa reconstrução ainda está em fase de acabamento, estou há mais de um ano fazendo psicoterapia, não passei nem pra fase quinzenal, ainda me encontro semanalmente com minha psicóloga, e acredito que ainda tem chão para percorrer. Contudo penso que mais longe eu já estive. Certa vez fazendo minha caminhada e escutando minhas músicas, dentro da minha playlist tem a música do tijolinho, de tanto eu escutar naquele período da minha vida, eu enjoei e toda vez que chegava nessa música eu passava, mas nesse dia, dessa caminhada, eu resolvi não passar e escutar a música mais uma vez, e sabe? Vi outra imagem de construção: vi as paredes levantadas e embuçadas, vi a estrutura do telhado toda de ferro pintada de azul, vi as telhas bem colocadas e vi uma pessoa numa escada fazendo algum tipo de acabamento na parede. Terminou? Não! Estou em fase de acabamento. Uma das coisas que sempre me falavam e que às vezes ficava até com raiva, era que as coisas iam melhorar com o tempo. Pra quem está vivendo no olho do furacão essa frase dá raiva mesmo. Mas não deixa de ser verdade! Com ajuda e com o tempo as coisas foram se ajustando e tem chegado o momento que tudo isso vai fazer sim parte da minha história, mas história é passado!
Existiam palavras que ouvi do meu ex-marido que ficaram presas em minha mente, como verdades, mas sabe, quando parei para refletir, vi que ele não era digno da minha credibilidade, e que aquelas palavras não eram verdades sobre mim, que tudo o que ele me falou e a forma que ele me enxergava diziam mais a respeito dele do que de mim! Como diz Leandro Karnal, quem me insulta só tem duas hipóteses, ou ela está falando a verdade ou está mentindo, e em nenhuma das duas hipóteses me ofendo se eu me conheço, quando somos mais reflexivos tendemos a nos conhecer melhor. E assim que comecei a ser mais reflexiva com as palavras dele, deixei de validar muita coisa dita, pois não eram verdades! E hoje penso e reflito sobre o que me é dito. Tem certas situações que me vejo lutando contra pensamentos gerados pelo que ouvi, e venço me permitindo viver e me relacionar independente desses pensamentos. E então que vejo que quanto mais me conheço mais gosto de mim e me amo! Quanto mais tomo consciência de mim, mais vivo de forma autêntica, e escrevo de próprio punho a minha história. Não tenho responsabilidade pelo que pensam de mim, somente pelo que eu penso. Sou perfeita? Estou bem longe de ser. Procrastino como todo ser humano, principalmente os brasileiros, algumas vezes sou inconstante, tenho meus momentos de rabugice, tem vezes que falo sem pensar e não meço minhas palavras aliás tenho uma certa dificuldade de falar de forma suave uma dura verdade, me esforço para ser melhor em tudo que citei acima, e ai eu percebo que paro de procrastinar, que permaneço perseverante naquilo que me propus a fazer, me calo se o que vou falar não traz benefício nenhum a quem vai ouvir. Olho pra mim e vejo que sou honesta, verdadeira, trabalhadora, uma boa pessoa em todos os tipos de relações. Tendemos a olhar com admiração outras pessoas, quando olhamos para nós mesmos, fitamos nosso olhar sempre no que nos falta. Eu comecei a perceber em mim coisas admiráveis e que muitas não se encontram em outras pessoas, pois sou única e singular assim como qualquer ser humano. É, sinto que minha reconstrução está chegando ao fim, não um fim definitivo, acredito que sempre temos reparos ou reformas a serem feitas em nossa vida, cuidar de nós mesmo e nos amar deve ser uma prática diária independente do nosso estado civil, e que esse amor sempre tenha sólidos fundamentos!
#crônicasdeumadivorciada




❤️👏🏻👏🏻
ResponderExcluir🥰🥰🥰😘❤️
ExcluirTesto perfeito. Parabéns!
ResponderExcluirObrigada!!!🥰🥰❤️❤️
ExcluirVc é incrível, amiga! É a personificação da superação!!👏👏🥰🥰
ResponderExcluirObrigada amiga! Escrevi esse texto pensando em você haha, negócio de construção a Marcela entende! kkk 🥰🥰😍😍😘😘🌹🌹 obrigada pela sua amizade!💕💕 bjos
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