O dia que descobri que tudo passa
“Tudo passa!” essa frase não é nova. Fico me perguntando quantas vezes você já ouviu? Eu já ouvi muitas vezes! Quando eu me machucava brincando na minha infância, minha mãe me dizia “quando casar passa!” e eu pensava que não ia passar nunca, que ia demorar demais. Também já ouvi muitas vezes “calma, isso vai passar” e toda vez que ouvia isso, mesmo adulta, eu tinha a mesma sensação de que não iria passar ou que demoraria muito para isso acontecer. Bom, sabe o que eu percebi nesses últimos meses? Que passava, mas eu não percebia que passava e talvez seja por isso que quando eu experimentava uma situação de sofrimento sempre tinha a mesma sensação de quando eu era criança, mais uma vez sentia que nunca ia passar.
Em meados de 2021 eu vivi um curto episódio depressivo, eu não estava mais escrevendo para o blog, parecia que eu não tinha mais o que escrever. Tive o rompimento de uma amizade muito importante para mim, mas que não estava mais me fazendo tão bem. Pensava que nunca iria melhorar e que ficaria dependente eternamente da terapia. Não que depender da terapia seja algo ruim, mas quando você tem uma mente treinada para buscar resultados e continua a fazer a mesma coisa sem progredir acabamos nos frustrando, mas quando o assunto diz respeito ao ser humano, a sua alma, a sua mente, as coisas não são dessa forma e, como todo ser humano, não adiantava falar isso para mim, assim como não adiantava falar que tudo ia passar. Enquanto este ser tão complexo não elaborar na sua mente, não compreender que não somos máquina, nem empresa, nem uma corporação em que é preciso gerar resultados, atender as nossas expectativas e as de outras pessoas, não adianta falar, tudo na vida tem que ser experimentado para ser compreendido. Então todas as vezes em que ouvia da minha psicóloga “não se preocupa com o tempo que você está fazendo sessões semanais”, “não se preocupa quando você vai ter alta”, tudo isso eu entendia, mas não tinha compreensão, principalmente porque não tinha a compreensão de que tudo passa.
Não sei se com você é assim, mas eu vivia o futuro estando no presente, meu pensamento sempre era “o que preciso fazer para conquistar algo que eu gostaria de viver no futuro”, sempre estava pensando no amanhã. Ou revivia em minha mente o passado, lamentando minhas escolhas que não levaram ao futuro que eu queria. Isso não é uma boa forma de viver! Mas eu não percebia isso! No entanto, isso mudou. Não sei dizer se houve um dia específico que passei a perceber e assim pude elaborar que tudo passa e que cada um tem seu tempo para viver cada etapa da vida, porém tem algo que acredito ter sido fundamental para isso acontecer.
O episódio depressivo que tive começou num dia que estava bebendo com uma amiga e um amigo e estávamos ouvindo música. Cada um escolhia a próxima musica que iríamos ouvir e numa das vezes da minha amiga ela escolheu a música “Primeiros erros” do Capital Inicial. Esta canção para mim era um gatilho do tamanho do mundo! Sempre foi, desde a minha adolescência, pois eu escutava e sempre me dava uma vontade enorme de chorar, principalmente na parte em que diz que se ele pudesse fazer parar de chover no seu passado, tudo viraria sol, mas, como não podia, só chovia. Nesse dia eu comecei a chorar ouvindo esta música e não consegui mais parar de chorar. Era um sábado. Voltei para casa, dormi e quando acordei no domingo continuei a chorar. Tem uma coisa que eu evito muito fazer desde que comecei a terapia que é chamar a minha psicóloga fora do dia da sessão, mesmo ela dizendo que quando precisar eu posso falar com ela pra marcar um encontro ou conversar pelo celular... eu sempre tento segurar o máximo que posso para a próxima sessão. Penso e repenso na sessão anterior, reflito tudo o que eu falei e escutei, mas naquele domingo eu não consegui aguentar, escrevi uma mensagem para ela no whatsapp contando tudo o que estava sentindo naquele momento. Ela retornou com uma mensagem que fazia muito sentido para mim e me indicou um vídeo para assistir. Aquele vídeo não só melhorou meu domingo, como acredito que foi o ponto inicial para essa virada de chave na minha mente.
Uma das coisas que também estava trabalhando na terapia eram outras fontes de alimento para a alma. Como já falei em outros textos: a liturgia da igreja, a bíblia e as pregações já não conseguiam alcançar meu coração, a minha alma e eu vivi algumas experiências fora desse contexto que fizeram com que eu sentisse a minha alma nutrida, passando a pensar no que mais eu poderia fazer para alimentar meu ser. Encontrei alimento na filosofia, assistia vários vídeos no youtube, passei a seguir alguns canais, assistia palestras de filosófos contemporâneos – conhecidos e desconhecidos – e então passei a assistir aos vídeos da Jout Jout, uma youtuber sensacional (#soufã). O primeiro vídeo que assisti dela foi o que minha querida psicóloga indicou naquele domingo nebuloso. O vídeo é “O contrário do amor é o MEDO”. E como esse vídeo fez sentido para mim! Ele me levou a outros e a outros e a outros que me alimentam e me fazem refletir. Existe um em específico que diz respeito ao tema desse texto. Ela fala que a vida é como se fosse um pêndulo que uma hora estamos vivendo a alegria e felicidade e em outro momento estamos vivendo o sofrimento e a tristeza. Geralmente estamos agarrados ao pêndulo sempre querendo permanecer na alegria e evitar a tristeza, mas não temos controle sobre isso e um “exercício” indicado pelos sábios seria largar o pêndulo e começar a observar – numa perspectiva de quem vê de fora – cada momento da nossa vida porque não podemos evitar a tristeza e permanecer apenas na alegria, uma vez que isto está fora do nosso controle. No entanto, como nós vamos reagir a cada momento em que estamos vivendo faz toda a diferença para uma vida melhor. Esse vídeo não saiu da minha cabeça. Pensei inúmeras vezes nele. Assisti várias vezes. Linkei com tudo o que já tinha trabalhado na terapia e fui tentar praticar este exercício de largar o pêndulo. Foi simples? Com certeza, não! Estou expert no assunto? Nem de longe! Mas houve um dia em que comecei a pensar em todos os perrengues que já passei e lembrei de como me sentia naqueles momentos. Lembrei do desespero que sentia, da dor, da ansiedade, da angústia, mas logo depois passava, ainda que se resolvesse ou não, independente do resultado, aquele sofrimento passava. E eu me lembrei desses momentos que passaram e que nem percebia isso acontecer. Foi nesse dia – que não sei dizer ao certo quando foi – que consegui compreender essa frase tão velha e tão significativa. Tudo é temporário nessa vida incluindo nós mesmos... até nós passamos!
Somos temporários... lembro de um texto que escrevi no início de novembro e perdi, não sei mais como escrevi sobre esse tema, mas sei que dizia que nossos pensamentos mudam, nossa forma de enxergar a vida muda, nossa pele muda, nada é permanente. Não sei se com todo mundo é assim ou vai ser assim, mas quando eu entendi isso minha vida melhou muito.
Sendo assim, quando percebo alguma aflição em mim sobre determinada situação eu me afasto um pouco para enxergar melhor o todo e vejo que isso também vai passar. Penso que a partir disso eu posso viver plenamente o agora, sem ansiar por um futuro que ainda não existe e talvez nem existirá da forma que idealizei, nem presa às escolhas do passado achando que foram más escolhas, mas que na realidade foram somente escolhas e que me trouxeram a onde estou hoje e eu gosto de onde estou hoje, não é perfeito, mas me satisfaz.
Se estou vivendo algo doloroso essa filosofia me conforta e se estou vivendo algo que me traz felicidade, tendo em mente que tudo passa, vou viver esse momento com maior intensidade estando por completo no presente!
Isso me traz paz!


Meus parabéns pela coragem de contar suas experiências de vida, tenho certeza de que irá ajudar várias pessoas, parabéns
ResponderExcluirMuito obrigada 🥰🥰
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ResponderExcluirObrigado por compartilhar sua experiência de vida....
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